Quíron, o curador ferido.
Aqui vai um pouco de mitologia grega:
Quíron foi um centauro - criatura metade homem, metade cavalo - filho de Cronos e Filira. Após seu nascimento, sua mãe o abandona na base do Monte Pélium - uma vez que sentiu vergonha da figura de seu filho. Lá havia estudos gregos, professores e mestres. Torna-se também um grande mestre e cria uma ligação com Apolo, o deus do Sol que carrega um arco-e-flecha consigo. As flechas de Apolo têm um veneno da Hidra de Lerna e quando ele luta contra os centauros do mal, acaba atingindo Quíron com uma flecha também.
As dores ficam tão insuportáveis que o centauro deseja a morte, pois embora o veneno seja mortal, Quíron era um ser imortal e sua ferida não cicatrizava. Então fez a única coisa que um mestre faria: buscou conhecimento e os aplicou de forma prática, sendo assim, aprendeu sobre ervas, unguentos e chás, descobrindo a cura para as doenças dos humanos e conseguindo amenizar sua própria dor, mas sem cura.
O que quero dizer-lhes com essa história? Que durante a vida teremos sim muitas feridas e às vezes algumas serão permanentes e estarão sempre abertas, porém, nós também podemos encontrar o unguento capaz de amenizar o sofrimento pelo qual estamos passando e isso depende de nós mesmos e de mais ninguém, porque somente cada um sabe onde dói e a intensidade da dor e encontrar um remédio para tais chagas. Quíron ensinou-me que para cada veneno que me consome haverá um antídoto e que eu posso ser meu próprio curador; que para tudo há uma saída, leve o tempo que for.
Pode ser que para vocês isso tudo pareça mórbido demais, porém penso que são lições muito profundas e em um mundo dominado por pessoas que estão apenas anestesiadas pela correria do dia a dia e todas as coisas que o mundo contemporâneo nos trouxe, dificilmente paramos para nos aprofundar em nossa essência e ver o valor das pequenas coisas. Talvez esse seja o momento mais humano que podemos nos dar de presente.

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